Depois de fazer um estrondoso sucesso em 2010, "Os Mercenários" se tornou um marco no cinema de ação, pois apresentava diversos astros do gênero reunidos em um mesmo filme. Em 2012 foi lançada a sua sequencia, que inclusive trouxe de volta os sumidos Chuck Norris e Jean-Claude Van Damme. Como era previsto chega agora "Os Mercenários 3", seguindo a mesma onda de seus antecessores, agora acrescentando astros como Harrison Ford, Antonio Banderas, Wesley Snipes, Kelsey Grammer e Mel Gibson como o vilão.
A produção tem inicio quando o grupo dos "Mercenários", liderados por Barney Ross (Sylvester Stallone, de "Rota de Fuga"), resgatam Doc (Snipes), um veterano do grupo que é especialista em facas, assim como Lee Christmas (Jason Statham, de "Carga Explosiva") que gerará diversos conflitos entre ambos durante quase toda a produção. Mas durante uma missão, Barney nota que o principal responsável pelo contrabando do local é seu ex-parceiro e fundador do grupo, Conrad Stonebanks (Mel Gibson, de "O Fim da Escuridão"). Em seguida acontece uma enorme troca de tiros, que acaba ferindo gravemente Hale (Terry Crews, de "Juntos e Misturados"). Então Barney e seu time procuram jurar vingança, só que ao invés de ele utilizar os seus velhos companheiros, ele decide procurar por novos integrantes. É quando entra em cena o hacker Thorn (Glen Powell), o lutador Smilee (Kellan Lutz), o soldado Mars (Victor Ortiz) e a única mulher no grupo (novamente) Luna (Ronda Rousey).
O roteiro escrito pelo próprio Stallone, em parceria com Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt, não só repete a dose de brincadeiras do primeiro, como também reduz um pouco a ação descontrolada e sem noção que era o antecessor. Com a saída de Bruce Willis da produção (devido ao alto salário imposto por ele, por apenas quatro dias de filmagem), entrou em seu lugar o personagem vivido por Harrison Ford, que quando surge no filme, já alega que a Barney que "Church saiu de cena, agora você trabalha para mim, Max Drummer". Outro momento interessante, foi no prólogo onde mostra o grupo resgatando o personagem de Snipes da cadeia (Onde muita gente não sabe, é que na época em que o ator foi preso por sonegação de impostos, ele atuaria no primeiro filme como o personagem de Crews). Já Bandeiras, tem seu carácter romântico e "matador" satirizado quase todo o tempo em que o mesmo está em cena.
Mas ele peca um pouco no quesito de não saber usar o nome de tantos atores famosos em uma única produção. Personagens como os de Jet Li e Arnold Schwarzenegger, são deixados para serem apresentados quase na metade da produção, enquanto o de Grammer aparece apenas em uma sequencia. Mas o maior ponto fraco da produção é o esperado embate entre Stallone e Gibson, que ao contrario de Van Damme, aqui o embate dura menos de dois minutos. A direção de Patrick Hughes ("Busca Sangrenta") procura focar mais nos momentos de ação, pois aqui há de sobra. Quanto aos efeitos especiais, eles também não são os melhores (afinal, os efeitos dos anos 70.80 e 90 eram bons comparados com os atuais?). "Os Mercenários 3" acaba se tornando mais um divertido capitulo da série que homenageia grandes produções de ação, que nos entretêm até hoje nas exaustivas reprises da televisão. Obs: Apesar do filme ter vazado de forma ilegalmente em sites de downloads ilegais, um mês antes do lançamento oficial, optei mesmo assim por também assisti-la nos cinemas (em sua estreia, em uma sala XD do Cinemark). Sem nosso retorno financeiro, divertidas cine-séries como essa não seguirão mais em frente.
Wes Anderson já demonstrou ter sua personalidade na industria do cinema. Assim como Quentin Tarantino, Woody Allen, Steven Spielberg, este possui uma marca registrada em todas suas produções: ausência de efeitos especiais (que são substituídos por sequencias em "Stop-Motion" (cenas feitas com massinhas de modelar)), sempre mantendo quase com o mesmo elenco e alguns momentos com os mesmos "conversando" diretamente com a câmera, sem expressões, cuja ideia é simplesmente para demonstrar o desabafo de ambos caracteres em cena. Depois de três indicações ao Oscar (por "Os Excêntricos Tenenbaums", "Moonrise Kingdom" e a animação "O Fantástico Sr. Raposo"), Anderson volta as telas em um dos mais divertidos filmes do ano: "O Grande Hotel Budapeste".
Aqui vemos a história do famoso Hotel do título, cujo o funcionário M. Gustave (Ralph Fiennes, o Voldemort de "Harry Potter") vive somente em função deste, durante a época das Guerras Mundiais. Ele não imagina ter uma vida fora do mesmo, muito menos fugindo de sua habitual comodidade de se envolver com as hospedes idosas do local. Mas ele começa a ver um outro lado disto, quando o jovem Zero (Tony Revolori) é contratado para ser o novo "Mensageiro" do Hotel. Aos poucos ele começa a criar um laço de amizade com o garoto, até que um dia a frequente hospede do Budapeste, Madame D. (Tilda Swinton, de "Queime Depois de Ler") acaba falecendo. Apesar dela manter um romance secreto com Gustave, ela deixa em seu testamento que um de seus bens mais valiosos, o quadro "O Menino com a Maça" fique com este. Zangado com a escolha, seu filho Dmitri (Adrien Brody, de "O Pianista") o acusa de ter assassinado sua mãe, fazendo a vida de Gustave virar de cabeça para baixo. Mas para fazer sua acusação ter sentido, ele contrata o profissional Jopling (Willem Dafoe, de "A Culpa É das Estrelas"), que extermina todos aqueles que descobrem a verdade do fato.
No decorrer desta narrativa, notamos que Anderson procurou abordar cada momento de uma forma que não cansasse o espectador de forma alguma. Seu roteiro procurou ao máximo mesclar na dosagem certa os momentos românticos, cômicos, emocionantes e dando espaço para o suspense a partir do quarto ato. A fotografia procura ao máximo explorar as tonalidades pálidas e depressivas, como se fosse uma verdadeira transposição da obra roubada. O formato de tela utilizado aqui, quebrou bastante os paradigmas das atuais, pois Anderson procurou utilizar os usados nas produções dos respectivos anos em que a mesma se passa (maior parte da produção se passa na década de 30, época onde o formato da maioria das produções era 1:37 (formato das televisões antigas)), causando uma ótima referencia as produções da época.
Assim como em suas produções anteriores, o retorno de seus antigos companheiros de trabalho como Owen Wilson, Bill Murray e Jason Schwartzman, continua mesmo com eles possuindo apenas poucos minutos em tela. Mas seus personagens são de extrema importância para a narrativa, assim como os de Edward Norton, Harvey Keitel e Jeff Goldblum (que aparecem bem mais que aqueles). Quanto Tony Revolori, em seu primeiro papel como protagonista ele até que se sai bem e possui um ótimo entrosamento com a jovem Saoirse Ronan ("Desejo e Reparação"), e com Fiennes. Este que acaba sendo um dos pontos positivos do filme, pois a demonstração de amizade entre ambos deixa claro que o fator menos importante é diferença de idade. "O Grande Hotel Budapeste" já apresenta de fato como um dos melhores filmes do ano, e forte candidato ao Oscar de roteiro original (creio que agora Wes Anderson irá levar). RECOMENDO!
Indicações ao Oscar: Filme, Direção, Roteiro Original, Maquiagem e Penteado, Figurino, Fotografia, Design de Produção e Trilha Sonora.
Ganhou: Maquiagem e Penteado, Design de Produção, Figurino e Trilha Sonora.
Pra quem cresceu nas décadas de 80 e 90, com certeza já ouviu falar sobre "As Tartarugas Ninjas". Seja com o desenho, ou as diversas adaptações para os cinemas que viraram clássicos da "Sessão da Tarde". Depois de sete anos desde "As Tartarugas Ninjas: O Retorno" (animação que foi a última empreitada destes nas telonas), a série ganha um novo filme através do famoso produtor e diretor Michael Bay (responsável pela série "Transformers"). Como era de se esperar, ele praticamente "trocou" os "Transformers" pelas "Tartarugas" e o resultado acabou sendo catastrófico. Depois de brigarem publicamente há cinco anos, Bay parece que fez as pazes com Megan Fox (sua musa de "Transformers") e a colocou como protagonista aqui. Ela vive a repórter April O'Neil, que junto com o seu mal humorado cameraman Vernon Fenwick (Will Arnett, de "Escorregando Para A Glória") sempre saem na busca do furo perfeito ou alguma matéria que faça alavancar sua carreira jornalistica. Até o dia em que ela se envolve em uma confusão no metro, pelo o qual é interrompida pelas famosas Tartarugas, que mais tarde se revelam como Raphael, Leonardo, Donathelo e Michelangelo. É então, que ela começa a descobrir que ela sempre este ligada com as mesmas, assim como seu falecido Pai. Na procura de respostas, ela acaba alertando o cientista Eric Sacks (William Fichtner, de "Elysium"), que possui um contato direto com o famoso vilão Destruidor (Tohoru Masamune, de "A Origem"), fazendo com que estes bolem um plano para destruir a cidade de Nova York.
Como era de se esperar, o diretor Jonathan Liebesman (dos medianos "Fura de Titãs 2" e "Invasão do Mundo"), deixa a narrativa da produção beirando ao tédio até o terceiro ato. A história de como as Tartarugas foram desenvolvidas, foi deixada para escanteio e é abordada somente em Flashbacks e na abertura da película. O espaço maior acaba sendo da personagem de Megan Fox, pois a mesma acaba aparecendo mais do que o quarteto. Suas cenas novamente remetem ao que foi mostrado em "Transformers": caras, bocas e sensualidade, durante várias explosões e pancadaria de fundo (que parecem nunca ter fim). Seu entrosamento com Arnett (que até é um ator engraçado nas suas outras produções) soa extremamente forçado e a graça em seus momentos juntos, chega a se tornar extinta. Mas quem rouba a cena em "As Tartarugas Ninjas", é a sumida veterana Whoopi Goldberg ("Ghost: O Outro Lado da Vida"), que vive a chefe de April. Ela aparece durante poucos minutos no inicio, mas ela consegue ser um dos maiores destaques da película. Quanto ao vilão vivido por Fichtner, digamos que este já fez tantos papeis neste estilo ultimamente, que o que é visto em tela é apenas "mais do mesmo".
Os efeitos especiais estão de fato magníficos, de tal forma, que Raphael, Leonardo, Donathelo, Michelangelo, o rato Splinter e o Destruidor, parecem existir de verdade. Os efeitos sonoros estão bem realizados, apesar do 3D não acrescentar em absolutamente nada, a tecnologia se torna extremamente descartável. "As Tartarugas Ninjas" acaba se tornando, mais um Blockbuster que podia ter dado certo se os responsáveis não o tivessem transformado em mais um "Transformers" da vida.
Depois de ter o privilégio de assistir pela primeira vez o clássico "O Poderoso Chefão", no cinema, através de uma iniciativa da rede Cinemark, assisti a mais uma produção na mesma: "O Império do Sol". Lançado em 1987, o filme acabou sendo lembrado somente na última década por um simples motivo: foi o primeiro filme de Christian Bale, que viveu o bilionário Bruce Wayne, na trilogia "O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan. Na época, ele tinha apenas 12 anos e ainda assim mostrava que já tinha talento. Ele vivia o garoto Jim Graham, que morava com seus Pais em Xangai, na China, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas nesta época, o país sofria com a invasão das tropas Japonesas. Mas como ele é apenas uma criança, seus Pais e parentes sempre lhe protegiam desses conflitos que aconteciam naquela época. É então que quando acontece uma imensa invasão das tropas japonesas por lá, Jim e seus Pais saem em disparada para uma embarcação que os levará para fora da cidade. Só que no meio da multidão, os três acabam se separando, fazendo ele se virar sozinho para conseguir sobreviver no meio da guerra. É no desespero que ele conhece um estranho que o leva para sua casa, onde conhece o estranho muambeiro Basie (John Malkovich, de "Johnny English"). Este acaba explorando Jim das mais infinitas formas, até que eles são capturados e mandados para um campo de concentração Japonês. É ali que este irá mostrar toda sua capacidade e inteligência, impressionando todos os que vivem ali.
Spielberg mais uma vez acerta em sua narrativa, focando apenas como o garoto vê as situações, principalmente a guerra que ocorre a sua volta. Bale já mostrou ter talento desde essa produção, onde vive um garoto que sofre a lá "Bruce Wayne". A inocência que ele transmite em seu personagem, já serve para sentirmos ódio cada vez mais do personagem de Malkovich (que ao meu ver, foi ai que ele se consagrou como o "vilão louco" da maioria de seus filmes). Este que também arrasa no papel, onde tem como um dos seus comparsas vividos por Ben Stiller ("Entrando Numa Fria"), que também está em seus primeiros filmes.
A trilha sonora composta por John Williams (um dos maiores compositores do cinema), enaltece o drama em cena, enaltecendo ainda mais a sequencia onde Bale canta a música "Suo Gân", no qual todos a sua volta ficam abismados com o patriotismo e ao mesmo tempo inocência do garoto. A fotografia de Allen Daviau ("E.T. - O Extraterrestre"), usa e abusa da tonalidade pálida para transpor as sensações que são mostradas em cena. Quanto o roteiro de Tom Stoppard ("Shakespeare Apaixonado") e Menno Meyjes ("A Cor Purpura"), procura não mostrar o garoto em nenhum tempo abatido, mas sim levando tudo como uma enorme brincadeira. "O Império do Sol" é mais um divertido clássico de Steven Spielberg, que no cinema atual dificilmente veremos algo parecido. RECOMENDO!
Depois de seis anos desde o lançamento de "Homem de Ferro", as adaptações cinematográficas assinadas pela própria Marvel vem crescendo cada vez mais. Já vimos as histórias dos conhecidos heróis "Capitão América", "Thor" e "Hulk". Mas em uma radical atitude, eles resolveram apresentar ao público um time que podemos dizer que foi o pioneiro de todos eles: "Os Guardiões da Galáxia". As histórias focavam no grupo formado pelo humano Peter Quill (Chris Pratt, de "A Hora Mais Escura"), o guaxinim falante Rocket (dublado por Bradley Cooper, de "O Lado Bom da Vida"), a árvore Groot (dublada por Vin Diesel, de "Velozes e Furiosos") e os aliens Gamorra (Zoe Saldana, de "Avatar") e Drax (Dave Bautista, de "Riddick 3"). O contexto tem inicio em 1988, com o falecimento da mãe de Quill. Que ao presenciar o acontecimento, sai do hospital e é sugado por uma nave alienígena. É então que voltamos aos dias atuais, com ele trabalhando como um caçador de recompensas intitulado "Senhor das Galáxias". Mas até o dia em que ele furta um objeto que é cobiçado pelo consumo de Ronan (Lee Peace, de "Hobbit: Uma Jornada Inesperada"), que trabalha para Thanos (Josh Brolin, de "Onde Os Fracos Não Tem Vez"). O que faz o grupo se unir, para deixar o objeto nas mãos certas (já que o mesmo tem a capacidade de destruir um planeta inteiro).
Ao longo da produção, notamos diversas "pontas" de atores conhecidos como Glenn Close (a famosa Cruela Devil, de "101 Dalmatas"), Benicio Del Toro ("21 Gramas"), John C. Reilly ("Quase Irmãos") e Djimon Hounsou ("Diamante de Sangue"). Todos eles possuem papeis importantes na história, só que na escolhida por James Gunn ("Seres Rastejantes"), eles possuem apenas os momentos necessários. Assim como a narrativa exercida pela dupla que comandou "Capitão América: O Soldado Invernal", que fizeram uma clara homenagem aos filmes de espionagem e ação de James Bond e Jason Bourne, Gunn opta por trabalhar claras homenagens as clássicas produções de George Lucas: "Star Wars" e "Indiana Jones". O contexto que envolve as viagens pela galáxia, chega a reviver os divertidos momentos que as franquias nos trouxeram. O personagem vivido por Pratt é claramente uma nova releitura dos protagonistas do cinema desta época, assim como os outros integrantes do time de "Guardiões da Galáxia". A atuação deste time está extremamente divertida, e está claro que todos ali conseguiram dosar o timing cômico e dramático.
Além desta clara homenagem, Gunn nos apresenta uma ótima trilha sonora que homenageia grandes sucessos dos anos 80, como "Come and Get Your Love" do RedBone (que serve de abertura para a produção, com um divertido número musical feito por Pratt), Cherry Bomb do "The Runaways" e claro a famosa musica dos comerciais e trailer do filme: "Hooked on a Feeling" doBlue Swede. Essas músicas aumentam ainda mais o clima oitentista da produção, que ainda conta com diversos momentos que tornam a tecnologia 3D indispensável. Que com a fotografia assinada por Ben Davis ("Kick-Ass: Quebrando Tudo"), que aproveita a profundidade em qualquer ambiente e momento da película, assim como os clássicos objetos, mãos e armas vindo em nossa direção. "Guardiões da Galáxia" conseguiu o que poucos Blockbusters conseguiram esse ano: ter um roteiro, efeitos e atuações de qualidade (algo que "Transformers: A Era da Extinção" não teve). RECOMENDO!
Obs: Logo após os créditos finais, há uma cena que não é importante para o contexto de "Os Vingadores: A Era de Ultron", mas conta com um personagem famoso dos quadrinhos e do cinema dos anos 80.
Com dois dos maiores nomes das comédias românticas Reese Whiterspoon ("Legalmente Loira") e Colin Firth ("O Diário de Bidget Jones"), que um pouco antes de Metthew McCounaughey, também trocaram o gênero por produções mais sérias e acabaram ganhando o Oscar por causa disso. Agora ambos estrelam o novo filme do diretor Atom Egoyan (indicado ao Oscar por "O Doce Amanhã"), "Sem Evidências". Baseado em fatos verídicos, só que tendo como base o livro "Devils Knot: The True Story of the West Memphis Three" de Mara Leveritt, a produçãose passa em 1993 e foca no processo de julgamento dos jovens Damien Echols (James Hamrick),Jason Baldwin(Seth Meriwether) e Jessie Misskelley (Kris Higgins), acusados de assassinar três crianças em prol de um ritual satânico. Conforme as investigações vão avançando, o renomado advogado Ron Lax (Firth), vai percebendo que as declarações da policia e dos jovens não estão batendo, assim como as provas apresentadas. Ele então opta por defender os jovens no tribunal gratuitamente, pois ele tem a certeza de que eles não foram capazes deste ato. Ao mesmo tempo vemos o drama da mãe de uma das crianças (Whiterspoon), que assim como Ron começa a suspeitar de que todas as investigações não passam de uma farsa.
Apesar de sua gravidez estar claramente notável, Whiterspoon tem um papel pequeno na produção. Sua carga dramática está em um timming correto com a narrativa, apesar de evitar realizar diversas expressões clichês para produções do gênero. Firth também se encaixa nesse padrão de atuação, mesmo de seu personagem ser o verdadeiro protagonista. Quanto ao trabalho do diretor Egoyan, notamos que para uma história verídica o clima está um tanto que adequado, mas que ele utiliza uma narrativa que soa mais para um telefilme ao invés de uma produção para as telonas. Mas o suspense criado no decorrer da narrativa, para nos envolvermos no enredo e tentarmos descobrir os reais responsáveis chega a ser convincente (dando direito a uma rápida aparição, no principio e no desfecho, de Dane DeHaan (o novo Duende Macabro, de "O Espetacular Homem-Aranha 2"), que somente sua expressão já acaba causando muitas duvidas ao decorrer da história).
O que fez o feito ganhar foça, foi o roteiro escrito por Scott Derrickson e Paul Harris Boardman ("O Exorcismo de Emily Rose"), que procurou focar em uma crítica ao sistema investigativo da policia. Enquanto as sequencias de rituais satânicos e a pressão da imprensa em cima dos envolvidos com o processo, é deixada em segundo plano. Apesar de não ser completamente um "filme de tribunal", "Sem Evidências" é um drama que acaba sendo esquecido minutos após seu término, pois muitas pontas soltas acabam sendo esclarecidas apenas nos típicos relatos antes dos créditos finais.
Depois de fazer um inesperado sucesso de público e crítica em 2011, "Planeta dos Macacos: A Origem" mostrou como se iniciou a dominação dos macacos no nosso planeta. Sua sequencia, intitulada "Planeta dos Macacos: O Confronto", foca 15 anos após os acontecimentos em seu antecessor, no qual a terra foi praticamente devastada com a infecção mostrada no desfecho da última película. Nenhum dos atores deste aparecem aqui (há uma rápida referencia ao personagem vivido por James Franco, apenas), e o protagonista agora é Malcom (Jason Clark, de "O Ataque") que junto de sua esposa Ellie (Keri Russell, de "Missão Impossível 3"), e seu filho Alexander (Kodi Smit-McPhee, de "Deixe-Me Entrar"), lutam para sobreviver com os poucos sobreviventes, que estão vivendo em uma espécie de "forte" na cidade de Nova York. Já do lado de fora os macacos construíram suas próprias vidas, pois eles acabaram desenvolvendo quase a mesma inteligencia dos seres humanos. Liderados por César (Andy Serkis, de "O Senhor dos Anéis"), eles vivem em paz e não pensam em sequer entrar em guerra contra os humanos. Já estes, são liderados por Dreyfus (Gary Oldman, de "Robocop") que só pensa em exterminar todos os macacos, para todos poderem continuar vivendo como era antes. Mas um dia Malcom e sua família decidem investigar mais afundo o comportamento de seus "vizinhos" e descobrem que eles não são o que imaginavam ser.
A medida que vai apresentando o entrosamento dos humanos e macacos, notamos que não seria qualquer ator que conseguiria alcançar a perfeição de Serkis (que mais uma vez, atuou através de captura de movimentos, algo que ele já se tornou especialista). Seu César aparenta em diversos momentos ser tão real, que seu trabalho se torna mais uma vez digno de uma indicação ao Oscar. E não é só ele que brilha com esse papel, já que o vilão dos macacos vivido por Toby Kebbell ("Fúria de Titãs 2") chega a roubar a cena em diversos momentos. Quanto ao protagonista vivido por Jason Clark (que já mostrou ter uma ótima carga dramática em "A Hora Mais Escura" e "O Ataque") consegue ser menos marcante do que o vivido por Franco, mas ele demonstra ser menos canastrão que seu antecessor. Já o personagem de Oldman fica bem apagado nos primeiros atos da produção, ganhando destaque apenas quase no desfecho da mesma.
O diretor Matt Reeves ("Cloverfield: Monstro') consegue aplicar bem o timing dramático de seus protagonistas e realiza boas sequencias de ação que acabam prendendo nossa atenção por completo, apesar do 3D ser completamente descartável. Mas uma pena que o roteiro do trio Mark Bomback ("Wolverine Imortal"), Rick Jaffa e Amanda Silver (esses dois da produção antecessora), tenha beirado ao clichê a partir da metade da película. Mas uma brincadeira que é mostrada e chega a ser curiosa, é o fato de comparem o macaco César com o imperador Julio César, no qual a história de ambos chega a ser um tanto familiar e em certo ponto chega a ser interessante a comparação que a película demonstra entre ambos.
"Planeta dos Macacos: O Confronto" não chega ser melhor, nem pior que seu antecessor, apenas uma produção boa para esse final de férias. Mesmo assim, chega a ter um roteiro bem melhor do que "Transformers: A Era da Extinção".